O que é o material ‘Torta II’?
O material conhecido como “Torta II” refere-se a aproximadamente 3.500 toneladas de resíduos radioativos de baixa intensidade, oriundos do processamento de terras raras. Este resíduo permanece armazenado na localidade de São Bento, situada no bairro Botuxim, em Itu (SP), desde a década de 1970.
Armazenamento e Segurança dos Resíduos
Esse material está sob a responsabilidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e encontra-se em sete silos projetados especificamente para o seu armazenamento. As estruturas, feitas de concreto, possuem formato semelhante a grandes piscinas retangulares e estão localizadas em uma área total de aproximadamente 800 metros quadrados, dentro de um espaço isolado que abrange 20 mil metros quadrados. Estes silos são impermeáveis, selados e cobertos, assegurando que o resíduo permaneça contido de maneira segura.
O Papel das Indústrias Nucleares do Brasil
A INB fez esforços para garantir que o material armazenado esteja sempre em conformidade com as normas da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). A empresa assegura que o espaço é monitorado e que possui cercas e muros para controlar o acesso. A empresa ainda enfatiza que as condições atuais de armazenamento não representam riscos imediatos à saúde pública ou ao meio ambiente.

A Situação Atual em Itu
Até o momento, a situação do material armazenado em Itu segue sem uma destinação definida. A Prefeitura de Itu acompanha essa situação, mantendo diálogos com os órgãos federais competentes, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a própria INB. Apesar disso, a administração municipal esclarece que a fiscalização técnica é de responsabilidade dos órgãos citados.
Implicações Ambientais do Resíduo Radioativo
É importante ressaltar que, segundo especialistas, a presença do resíduo em sua forma atual não apresenta riscos diretos. Em 2026, o reitor da Universidade de Sorocaba (Uniso), José Martins de Oliveira Júnior, um dos especialistas em Física Nuclear, indicou que a emissão de radiação dos resíduos é baixa e, quando mantidos em condições controladas, não devem causar problemas ao meio ambiente ou à saúde pública.
Riscos Potenciais para a Saúde Pública
Oliveira Júnior também mencionou que o principal risco associado a esse tipo de resíduo é uma possível falha estrutural que leve ao vazamento do material. Caso ocorra uma ruptura dos silos, há um risco de contaminação do solo e do lençol freático. Esse fato poderia trazer implicações severas no meio ambiente, potencialmente afetando a cadeia alimentar.
Histórico do Armazenamento de Resíduos em Itu
A permanência de resíduos radioativos em locais específicos, como o que ocorre em Itu, não é incomum. O armazenamento de longo prazo é frequentemente resultado da falta de soluções definitivas e do alto custo associado à destinação final dos resíduos. Os elementos envolvidos, como o tório e urânio, têm longos períodos de decaimento radioativo, o que contribui para que muitos materiais permaneçam em armazenamento por várias décadas.
Desafios para a Destinação dos Resíduos
A gestão adequada dos resíduos radioativos enfrenta desafios significativos. Embora o Brasil possua expertise no manejo de substâncias nucleares, ainda carece de um repositório destinado a resíduos radioativos em grande escala. Essa limitação estrutural torna a situação ainda mais crítica, especialmente no que diz respeito à proposta de uma eventual destinação comercial para a “Torta II”, a qual não teve sucesso em atração de interessados.
Perspectivas Futuras para o ‘Torta II’
Os especialistas são claros ao afirmar que, apesar de haver viabilidade técnica para a utilização dos componentes da “Torta II”, os altos custos e o rigor regulatório tornam o processo desestimulante para o mercado. Para que uma nova oferta pública pela INB tenha sucesso, são necessárias condições que favoreçam a participação de empresas interessadas em reaproveitar o material.
A Importância da Fiscalização e Monitoramento
A fiscalização e o monitoramento adequados dos resíduos são fundamentais para garantir a segurança da população e do meio ambiente. As equipes responsáveis devem atuar continuamente para ajustar e melhorar as práticas de armazenamento, minimizando assim os riscos potenciais associados à presença de resíduos radioativos. É crucial que o Brasil desenvolva um sistema robusto e confiável para a gestão de resíduos nucleares, garantindo que situações como a de Itu sejam tratadas de forma eficaz no futuro.

